Crise no basquete feminino brasileiro não tem mais fim?

A crise no basquete feminino brasileiro - FIBA
A crise no basquete feminino brasileiro - FIBA

Em 2016, durante as Olimpíadas, muito se falou sobre investimento público e privado nas diversas modalidades. Quando o futebol feminino era o grande destaque, lançaram um holofote sob o qual muitos políticos se dispuseram a ampliar os incentivos aos atletas. Uma série de crises, passando por confederações de natação e tênis, por exemplo, mostrou que o pior estaria por vir. E, este período chegou, ao menos para as meninas do basquete feminino brasileiro.

O noticiário recente apareceu recheado de críticas à atuação brasileira da Copa América, na qual o time ficou em 4º lugar e perdeu a vaga no Mundial da categoria. Na história, esta será a segunda vez que o Brasil deixa de participar da principal competição do basquete mundial. O mesmo aconteceu em 1959 na antiga União Soviética.

Aquilo que muitos consideram como catástrofe já vinha sendo desenhado há alguns anos. Falta de incentivo e descaso por conta Confederação Brasileira de Basketball (CBB) nos últimos oito anos explicam a queda do basquete feminino brasileiro. Ignorada, a modalidade tem na Liga de Basquete Feminino (LBF), criada em 2010, e que organiza de forma independente, a única competição de cunho nacional com participação de poucas equipes.

Sem atenção ou investimento, seria mesmo muito difícil que as meninas tivessem apoio técnico para treinamentos e aperfeiçoamentos. Pior ainda seria manter um nível de competição que permitisse ficar entre as melhores da América. Sim, o espírito olímpico ficou lá em 2016. A realidade é bem cruel para o basquete feminino brasileiro.

Ao longo destes últimos oito anos tivemos sete técnicos comandando a Seleção Brasileiras, isso torna difícil a construção de um grupo e treinamentos para aperfeiçoar. “Foi o fundo do poço. Não consigo assistir aos jogos. Não dá. Agora, a culpa é do treinador? Não só. Não tem estrutura. Está na hora do pessoal colocar a cabeça no lugar e reconhecer que precisa melhorar”, disse Hortência, uma das maiores atletas brasileiras.

Basquete feminino brasileiro – Precisamos dar um passo atrás

Para pensar no futuro e almejar uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio, o Brasil precisa dar alguns passos atrás. O time que já teve grande destaque ao vencer o Mundial de Basquete em 1994, com as maravilhosas Magic Paula e Hortência, precisa se reciclar e incentivar a formação de novas atletas.

É necessário investir hoje na base e tornar os campeonatos regionais realidade para que a Liga Brasileira de Basquete ganhe corpo, novas equipes e aumente o nível técnico. Será preciso também intercâmbio de treinadores e jogadores para aprimoramento e amistosos com seleções de primeiro nível.

Sim, é hora de olhar nosso passado, especialmente para o fim dos anos 1980 e começo dos 90, copiar o que deu certo naquele momento e cuidar com carinho das nossas meninas. O basquete feminino brasileiro pede socorro para sair do fundo do poço.

Sobre Menina Joga!: nascemos em outubro 2016 com objetivo de ajudar na divulgação das diversas modalidades esportivas disputadas por brasileiras, desde o basquete feminino, futebol, judô, futsal até natação. Todos os esportes merecem destaque.

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About Mayk Souza 94 Articles
Jornalista e fotógrafo, com especialização em marketing digital. Amante dos esportes e apaixonado por futebol. Assisto qualquer jogo, mesmo que não seja do meu time do coração. Nordestino, apaixonado por um bom forró. Sou responsável pela cobertura de futebol e vôlei aqui no Menina Joga!

1 Comentário

  1. Excelente análise. Outra coisa que deve ser dita que o basquete feminino brasileiro teve grande chance de mudar essa situação quando foi criado o colegiado pelos clubes, porém algumas jogadoras deram as costas para essa união dos clubes que reinvidicou melhorias junto a CBB, por puro medo.

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